LeBron James com a camisa azul do Philadelphia 76ers, de braço erguido

Sixers de LeBron e Brown: dá para ser campeão em 2026-27?

O Sixers chega ao media day desta segunda-feira (28) com o elenco mais estrelado da era Embiid. Em julho, Philadelphia mandou Paul George, duas escolhas de primeira rodada e duas de segunda para o Celtics em troca do ala Jaylen Brown. Três semanas depois, fechou com LeBron James por dois anos e US$ 8 milhões, com opção do jogador no segundo ano. Em post no X, a NBA já mostrou o tamanho da semana de abertura da temporada 2026-27.

A pergunta que todo torcedor faz é simples: esse time dá para ser campeão?

Como o supertime foi montado

O Brown chega da melhor temporada da carreira: 28,7 pontos, 6,9 rebotes e 5,1 assistências em 71 jogos, com o sexto lugar na votação de MVP. É também o MVP das Finais de 2024, aquele título do Celtics. Ele conhece o caminho.

E não veio só para jogar. O Shams Charania, da ESPN, cravou que o Brown ajudou a recrutar o LeBron — e ouviu de uma pessoa próxima do ala que ele vai encarar a nova realidade “sem ego”. Para quem era a primeira opção em Boston, não é pouca coisa.

Do lado do LeBron, pesou a busca pelo quinto título. Para caber na folha salarial, ele aceitou o mínimo para veteranos e abriu mão de US$ 48,7 milhões. Pra mim, esse é o recado mais claro do verão: ninguém deixa essa grana na mesa aos 41 anos para fazer turnê de despedida. Ele veio porque acredita que dá.

O que os números dizem

No papel, é o melhor quinteto que Philadelphia já montou em volta do Embiid: Tyrese Maxey, VJ Edgecombe, Brown, LeBron e Embiid. Quatro deles já foram escolhidos para um time All-NBA (a seleção dos melhores da temporada). John Schuhmann, do NBA.com, foi além: pode ser o melhor quinteto titular da liga — se os astros ficarem saudáveis.

Esse “se” é o tamanho do problema. O Embiid jogou só 96 partidas de temporada regular nos últimos três anos. O LeBron chega aos 41 anos para a 24ª temporada. Isso pode parecer nota de rodapé. Não é: é a primeira linha do plano.

E a bola é uma só. Nos playoffs passados, Embiid e Brown dividiram a liderança da liga em taxa de uso (o percentual das jogadas que terminam nas mãos do jogador), com 32,5% cada. As projeções que Adam Aaronson analisou no PhillyVoice mostram “retornos decrescentes” no quinteto titular. Traduzindo: juntar estrelas não soma talento em linha reta.

A saída desenhada é o LeBron como organizador, o cara que arruma a mesa para os outros. E o Brown tem muito a ganhar com isso: foi o 6º da NBA em pontos por jogo em isolação (o um contra um) e o 4º em pontos de contra-ataque. Com o LeBron passando, sobram cortes pelas costas da defesa. Na minha leitura, é aí que mora a melhor notícia da temporada.

O banco e o garrafão

Atrás dos cinco titulares, quase tudo está em aberto. Chegaram Anfernee Simons, Kentavious Caldwell-Pope e Dean Wade, mas o reserva do Embiid segue como dúvida: Adem Bona e Ariel Hukporti ainda são apostas pouco testadas. Em abril, quem segura o garrafão quando o Embiid senta? E se a resposta for o LeBron de pivô numa formação baixa, quanto isso custa nas pernas de um jogador de 41 anos?

A leitura do DJ

Dá para ser campeão? Dá. Mas não do jeito que a gente imagina em setembro. Aristóteles ensinava que a gente se torna o que faz repetidamente — e o título desse Sixers não vai sair do talento, vai sair da rotina: o Embiid chegar inteiro em maio, o Brown aceitar menos arremessos, o Maxey e o Edgecombe correrem sem a bola. Na minha leitura, o teto é de campeão. O piso, com lesão, é cair de novo na segunda rodada. Com o LeBron, a pergunta não é mais se o Sixers chega. É quem chega inteiro.

O próximo capítulo

O training camp começa na terça-feira (29). A estreia é em 20 de outubro, às 20h (horário de Brasília), contra o Knicks, no Madison Square Garden. Dois dias depois, em 22 de outubro, também às 20h, LeBron e Brown fazem a estreia em casa contra o Cavaliers.

A primeira prova, então, é contra o atual campeão, em Nova York. O Knicks bateu o Spurs por 4 a 1 nas Finais de 2026 e levantou o primeiro título desde 1973. Naquela noite, o banner sobe no Garden. E o LeBron sabe o que isso significa.

Fontes